Petrobras reduz preço do GLP em 10% a partir desta terça-feira, 31




A Petrobras anunciou a terceira redução no preço do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) nos últimos 10 dias, de 10% nas refinarias a partir da terça-feira (31). Com mais essa queda, o preço do produto, que afeta as famílias de baixa renda, acumula corte de 21% nos preços neste ano.

Antes dessas reduções, o preço praticado pela estatal estava 45% acima da paridade com a cotação internacional.

O preço nas refinarias passa a ser de R$ 21,85 para o botijão de 13 quilos (gás de de cozinha) A redução atinge tanto o GLP residencial como industrial.

Segundo a Petrobras, a empresa está reforçando o abastecimento de GLP no mercado através de compras adicionais já efetuadas dentro do seu programa de importação, depois que a crise provocada pelo coronavírus fez muitas famílias estocarem o combustível, levando à escassez pontual em alguns centros urbanos, segundo informou mais cedo o Ministério de Minas e Energia (MME).

Ao todo, a Petrobras fez a importação de três carregamentos, que chegam no porto de Santos nos dias 30 de março, 6 e 10 de abril.

Cada navio tem capacidade adicional de 20 milhões de quilos de GLP, equivalente a 1,6 milhão de botijões de 13 kg.

A companhia disse ainda que não há necessidade de estocar o produto, e pediu para que as distribuidoras repassem a queda de preços para o consumidor. "Não há qualquer necessidade de estocar GLP neste momento, pois não haverá falta de produto para abastecer a população", afirmou a estatal.

Prefeitura fecha entrada de cidade na Bahia com arame farpado para evitar coronavírus

Foto: Divulgação/Prefeitura de Itagimirim

Um dos acessos à cidade de Itagimirim, na Costa do Descobrimento, região de Porto Seguro, segue bloqueado com arame farpado. A situação é vista ainda nesta segunda-feira (30) na pista que dá acesso a Eunápolis, na mesma região. Na outra entrada, que leva a outro trecho da BR-101 sentido Itabuna, o bloqueio é parcial. Nesta barreira sanitária, agentes da prefeitura abordam os condutores e passageiros e avaliam sobre a necessidade de isolamento ou não, caso apresentem sintomas do novo coronavírus. A decisão de fechar a entrada da cidade foi tomada pela prefeitura entre as ações para evitar o contágio no município. Na região, Porto Seguro é a que tem mais casos de novo coronavírus (10), segundo último boletim da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) divulgado no domingo (29).

Queda no consumo de cerveja leva Grupo Petrópolis a dar férias a 10 mil trabalhadores

Com fábrica em Alagoinhas (BA), empresa informou que objetivo é evitar demissões e readequar estoques

Unidade fabril do Grupo Petrópolis em Alagoinhas

Devido à queda de consumo de cerveja no Brasil, por conta do fechamento dos bares e restaurantes, o Grupo Petrópolis – fabricante de cervejas de marcas populares como Itaipava, Petra e Lokal – anunciou nesta segunda-feira (30) que vai promover ações de readequação de suas atividades e de seus 28 mil trabalhadores. A partir de hoje, entram de férias 10 mil funcionários.

Segundo a empresa, que tem uma fábrica em Alagoinhas, no Nordeste baiano, a medida quer, em um primeiro momento, garantir os empregos da companhia nesta fase de prevenção ao Covid-19.
Com os estoques em alta, a produção será feita seguindo o cronograma das linhas de envase de cada fábrica. No momento, o Grupo tem produto suficiente para o atendimento aos supermercados e pontos de venda que seguem abertos.
Desde o início da pandemia, a empresa afirma que vem cumprindo as medidas de prevenção sugeridas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Cerca de 20% já trabalhavam em regime de home office ou foram afastados preventivamente por estarem nos chamados grupos de risco.
O foco prioritário sempre foi tomar todas as medidas de proteção dos colaboradores, agora as medidas visam a saúde e a manutenção dos empregos.
 
O Grupo Petrópolis conta com sete unidades fabris, uma delas em Alagoinhas, no Nordeste da Bahia. As outras ficam em Boituva e Bragança Paulista/SP, Itapissuma/PE, Petrópolis e Teresópolis/RJ, e Rondonópolis/MT. Conta ainda com mais de 180 unidades de distribuição espalhadas pelo país.

A companhia diz manter expectativas positivas no país e na capacidade de retomada, quando o momento for adequado.
 
Prevenção e contenção
Em linha com as orientações e boas práticas adotadas em todo o mundo para diminuir a exposição e o contato entre os colaboradores, o Grupo Petrópolis conta que implantou, desde o início da crise, as medidas de prevenção necessárias.

Além da ampliação da comunicação sobre os cuidados e hábitos seguros e da adoção do home office, estão em vigência também regras de horários alternativos para uso dos refeitórios, proibição de viagens sem urgência, entre tantas outras ações.  
 
Todas as iniciativas cumprem rigorosamente os protocolos de segurança recomendados pelas autoridades federais, estaduais e municipais, e reforçam o compromisso do Grupo Petrópolis na luta contra a disseminação do vírus Covid-19 e o respeito com seus colaboradores, consumidores e com o país.



Bahia confirma 20 novos casos de coronavírus em apenas 24h



Sesab confirma primeira criança com a Covid-19

A Bahia confirmou mais 20 casos de coronavírus nas últimas 24h. De acordo com o boletim divulgado pela Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), agora o estado tem 176 pacientes infectados.
Atualização: Após a divulgação do boletim desta segunda-feira (30), por volta das 18h45, morreu a segunda vítima de coronavírus na Bahia. O paciente 64 anos e estava internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Aliança, que trata outros quatro casos de Covid-19.
Os dados contabilizam todos os registros de janeiro até as 17h desta segunda-feira (30). Na lista de infectados com o vírus, há o primeiro caso confirmado de uma criança, que tem 1 ano de idade e mora em Feira de Santana.
Até o momento, são 1.393 casos descartados na Bahia, que teve duas morte por conta da Covid-19 - uma no último sábado (28) e outra nesta segunda-feira (30). Ainda de acordo com o boletim, 17 pessoas estão curadas no estado e outras 17 internadas, sendo 7 em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).
Estes números representam notificações oficiais compiladas pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Bahia (Cievs-BA), em conjunto com os Cievs municipais.
Mais homens
Dentre os casos confirmados, 54,55% são do sexo masculino e 45,45% do sexo feminino. Já o coeficiente de incidência por 100.000 habitantes foi maior na faixa de 70 a 79 anos (3,01), indicando o maior risco de adoecer entre os idosos.

Ainda segundo a Sesab, de todos os testes realizados, apenas 4,3% do total testou positivo para coronavírus.

Confirmada segunda morte por coronavírus em Salvador



Paciente estava internado no Hospital Aliança

Foi confirmada nesta segunda-feira (30) a segunda morte por coronavírus na Bahia. O paciente estava internado em estado grave no Hospital Aliança, em Salvador, e não resistiu às complicações da Covid-19. A informação foi ratificada pelo secretário de Saúde do estado, Fábio Vilas-Boas, e pela unidade de saúde.
Através de comunicado, o Hospital Aliança informou que a morte ocorreu às 18h45. O paciente tinha 64 anos e estava internado na UTI desde o dia 17 de março. Já o secretário informou que o homem era hipertenso e diabético, fatores de risco para a doença. A unidade privada de saúde confirmou que tem outros quatro pacientes internados com Covid-19 no local.
Com muita tristeza uno-me aos familiares, amigos e profissionais do Hospital Aliança que travaram uma longa batalha pela vida de um paciente de 64 anos, previamente hígido, segunda vítima fatal do na Bahia. Era diabético e hipertenso, assim como muitos.

47 pessoas estão falando sobre isso


primeiro óbito pela doença no estado também aconteceu em Salvador, no sábado (28), e foi confirmada no dia seguinte pela Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab). A vítima, Leonildo Sassi, de 74 anos, estava internado no Hospital da Bahia, em Salvador. O idoso foi cremado na tarde do mesmo dia, no Cemitério do Campo Santo, na Federação, com uma cerimônia diferente das habituais.
De acordo com o boletim mais recente divulgado pela Sesab, o estado já confirmou 176 pacientes infectados. Os dados contabilizam todos os registros de janeiro até as 17h desta segunda-feira (30). 
Até o momento, são 1.393 casos descartados na Bahia. Ainda de acordo com o boletim, 17 pessoas estão curadas no estado e outras 17 internadas, sendo 7 em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).
Estes números representam notificações oficiais compiladas pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Bahia (Cievs-BA), em conjunto com os Cievs municipais.

Esquerda se une e pede renúncia de Bolsonaro. Confira documento

Líderes oposicionistas criticam presidente por condução da crise do coronavírus | Foto: Marcos Corrêa | PR - Foto: Marcos Corrêa | PR

Diversos líderes do campo de esquerda no país se uniram, de forma inédita, e assinaram um documento em que pede a renúncia do presidente Jair Bolsonaro. O texto é assinado por políticos como o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (Psol) e Manuela D'Ávila.
O grupo diz que o chefe do Palácio do Planalto deveria renunciar por ser um presidente "irresponsável" que acirra a crise causada pelo coronavírus e "comete crimes, fraude informações, mente e incentiva o caos".
Com assinatura de diversas figuras do campo de oposição ao governo federal, o documento sustenta que Bolsonaro "não tem condições" de seguir governando o país e afirma que o presidente se tornou "o maior obstáculo" na tomada de decisões urgentes para reduzir a transmissão do coronavírus.
Veja abaixo o documento na íntegra:
O BRASIL NÃO PODE SER DESTRUÍDO POR BOLSONARO
O Brasil e o mundo enfrentam uma emergência sem precedentes na história moderna, a pandemia do coronavírus, de gravíssimas consequências para a vida humana, a saúde pública e a atividade econômica. Em nosso país a emergência é agravada por um presidente da República irresponsável. Jair Bolsonaro é o maior obstáculo à tomada de decisões urgentes para reduzir a evolução do contágio, salvar vidas e garantir a renda das famílias, o emprego e as empresas. Atenta contra a saúde pública, desconsiderando determinações técnicas e as experiências de outros países. Antes mesmo da chegada do vírus, os serviços públicos e a economia brasileira já estavam dramaticamente debilitados pela agenda neoliberal que vem sendo imposta ao país. Neste momento é preciso mobilizar, sem limites, todos os recursos públicos necessários para salvar vidas.
Bolsonaro não tem condições de seguir governando o Brasil e de enfrentar essa crise, que compromete a saúde e a economia. Comete crimes, frauda informações, mente e incentiva o caos, aproveitando-se do desespero da população mais vulnerável. Precisamos de união e entendimento para enfrentar a pandemia, não de um presidente que contraria as autoridades de Saúde Pública e submete a vida de todos aos seus interesses políticos autoritários. Basta! Bolsonaro é mais que um problema político, tornou-se um problema de saúde pública. Falta a Bolsonaro grandeza. Deveria renunciar, que seria o gesto menos custoso para permitir uma saída democrática ao país. Ele precisa ser urgentemente contido e responder pelos crimes que está cometendo contra nosso povo.
Ao mesmo tempo, ao contrário de seu governo - que anuncia medidas tardias e erráticas - temos compromisso com o Brasil. Por isso chamamos a unidade das forças políticas populares e democráticas em torno de um Plano de Emergência Nacional para implantar as seguintes ações:
- Manter e qualificar as medidas de redução do contato social enquanto forem necessárias, de acordo com critérios científicos;
- Criação de leitos de UTI provisórios e importação massiva de testes e equipamentos de proteção para profissionais e para a população;
- Implementação urgente da Renda Básica permanente para desempregados e trabalhadores informais, de acordo com o PL aprovado pela Câmara dos Deputados, e com olhar especial aos povos indígenas, quilombolas e aos sem-teto, que estão em maior vulnerabilidade;
- Suspensão da cobrança das tarifas de serviços básicos para os mais pobres enquanto dure a crise,
- Proibição de demissões, com auxílio do Estado no pagamento do salário aos setores mais afetados e socorro em forma de financiamento subsidiado, aos médios, pequenos e micro empresários;
- Regulamentação imediata de tributos sobre grandes fortunas, lucros e dividendos; empréstimo compulsório a ser pago pelos bancos privados e utilização do Tesouro Nacional para arcar com os gastos de saúde e seguro social, além da previsão de revisão seletiva e criteriosa das renunciais fiscais, quando a economia for normalizada.
Frente a um governo que aposta irresponsavelmente no caos social, econômico e político, é obrigação do Congresso Nacional legislar na emergência, para proteger o povo e o país da pandemia. É dever de governadores e prefeitos zelarem pela saúde pública, atuando de forma coordenada, como muitos têm feito de forma louvável. É também obrigação do Ministério Público e do Judiciário deter prontamente as iniciativas criminosas de um Executivo que transgride as garantias constitucionais à vida humana. É dever de todos atuar com responsabilidade e patriotismo. ​
Assinam:
Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB.
Carlos Lupi, presidente nacional do PDT.
Ciro Gomes, ex-candidato a Presidência pelo PDT.
Edmilson Costa, presidente nacional do PCB.
Fernando Haddad, ex-candidato à Presidência pelo PT.
Flavio Dino, governador do estado do Maranhão.
Guilherme Boulos, ex-candidato à Presidência pelo PSOL.
Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT.
Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL.
Luciana Santos, presidenta nacional do PC do B.
Manuela D’Avila, ex-candidata a Vice-presidência (PC do B).
Roberto Requião, ex-governador do Paraná.
Sonia Guajajara, ex-candidata à Vide-presidência (PSOL)
Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul.

Coronavírus: Senado aprova projeto que prevê R$ 600 mensais a trabalhadores informais

Projeto prevê três meses de auxílio emergencial para autônomo maior de 18 anos e que cumprir critérios de renda, entre outros. Texto segue para sanção de Bolsonaro.

Senadores fazem sessão virtual para votar projeto que prevê R$ 600 para trabalhadores informais durante pandemia do coronavírus — Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Senadores fazem sessão virtual para votar projeto que prevê R$ 600 para trabalhadores informais durante pandemia do coronavírus

Senado aprovou nesta segunda-feira (30) em sessão virtual, por 79 votos votos a zero, o projeto que prevê o repasse de R$ 600 mensais a trabalhadores informais. A aprovação foi motivada pela pandemia do novo coronavírus, e o texto prevê o pagamento por três meses.

A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada segue para a sanção do presidente Jair Bolsonaro. Segundo o projeto, o pagamento do auxílio será limitado a duas pessoas da mesma família.

O projeto do governo previa R$ 200 por mês. No Congresso, os parlamentares aumentaram o valor para R$ 600.

Pelo texto, a trabalhadora informal que for mãe e chefe de família terá direito a duas cotas, ou seja, receberá R$ 1,2 mil por mês, durante três meses.

A proposta estabelece uma série de requisitos para que o autônomo tenha direito ao auxílio, apelidado por alguns parlamentares de "coronavoucher".

Segundo o projeto, o trabalhador precisa ter mais de 18 anos, cumprir critérios de renda familiar e não pode receber benefícios previdenciários, seguro desemprego nem participar de programas de transferência de renda do governo federal, com exceção do Bolsa Família

De acordo com a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, o auxílio emergencial, nos três meses de pagamento, representará cerca de R$ 59,8 bilhões. A IFI aponta que 30,8 milhões de trabalhadores informais poderão ser beneficiados.

O relator da proposta no Senado, Alessandro Vieira (Cidadania-SE), propôs algumas mudanças na redação da proposta que não forçaram o reenvio do texto para a Câmara dos Deputados.

Uma das mudanças prevê que o benefício será recebido pelo trabalhador em três prestações mensais, para garantir que a ajuda seja concedida ainda que haja atraso no cadastro dos beneficiários.




Guedes diz que, como cidadão, prefere isolamento

Para ministro, economia não suporta mais de dois meses estagnada.

Guedes diz que, como cidadão, prefere isolamento

Agência Brasil - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse hoje (29) que é preciso “respeitar as opiniões dos dois lados” ao falar sobre o isolamento social feito pela população, sob recomendação do Ministério da Saúde, para frear a expansão do contágio pelo covid-19. Ele disse entender a recomendação dos médicos embora, como economista, preferisse a volta de todos à normalidade.
“Vamos conversar sobre isso de uma forma construtiva. Eu, como economista, gostaria que pudéssemos manter a produção, voltar o mais rápido possível. Eu, como cidadão, seguindo o conhecimento do pessoal da saúde, ao contrário, quero ficar em casa e fazer o isolamento”, disse, em videoconferência com representantes da Confederação Nacional dos Municípios, no início da tarde.
Guedes acrescentou que, apesar da importância do isolamento para a saúde pública, a economia não suportará mais que dois meses estagnada. “Essa linha de equilíbrio é difícil, mas é uma questão de dois meses para rachar para um lado ou para outro. Ou funciona o isolamento em dois meses ou vai ter que liberar, porque a economia não pode parar senão desmonta o Brasil todo”. Para o ministro, um tempo de isolamento maior que esse pode provocar um “desastre total”, com um cenário de desabastecimento, aumento de juros e da inflação.
Fundeb
O ministro opinou também sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), tema de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que tramita no Congresso. Ele contrariou o relatório, que prevê um aumento gradual na complementação de recursos do feita pela União para estados e municípios, e sugeriu a manutenção do valor atual. “Podíamos, excepcionalmente, renovar o Fundeb como é hoje, por dois, três anos, para o dinheiro excedente ser mandado para a saúde. Se for aumentar o Fundeb agora, vai faltar pra saúde.”
Orçamento “sem carimbo” e descentralizado
Durante uma hora e meia de videoconferência, Guedes ouviu as demandas de prefeitos de todas as regiões do Brasil e defendeu que a verba liberada para os estados não tenha uma destinação definida. Para ele, os prefeitos deveriam ter liberdade de alocar os recursos nas áreas em que quisessem. “Tudo que é Orçamento é carimbado, isso é ruim. O dinheiro devia estar solto. O prefeito, que está na ponta, é que sabe o que ele está precisando, se é comprar uniforme pras crianças ou comprar o teste de saúde, comprar ventilador pulmonar. O gestor precisa ter essa flexibilidade.”
O ministro também apoiou a aprovação do Projeto de Lei do Congresso (PLN) nº 2, que seguia para votação no plenário do Congresso quando a crise do coronavírus e o isolamento interromperam o ritmo de votações. O PLN 2 altera a atual Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e regulamenta a execução de emendas parlamentares impositivas e coloca critérios que podem impedir a obrigatoriedade de emendas parlamentares individuais ou de bancada.
Ao defender o PLN e a descentralização dos recursos públicos, Guedes afirmou que, se o dinheiro “ficar em Brasília”, irá para “privilégio de aposentadoria” e “para a Venezuela”. “O que queremos é mais recursos para os municípios. O dinheiro tem que ficar na ponta. Se o dinheiro ficar com Brasília, vira dinheiro para privilégio de aposentadoria, vira dinheiro para a Venezuela, vira estádio de futebol, em vez de virar hospital. Nós não acreditamos na centralização dos recursos, acreditamos no dinheiro na ponta, onde o povo vive.”
O ministro também defendeu a aprovação do Marco do Saneamento e do Plano Mansueto, esse último uma demanda dos prefeitos. O Projeto de Lei Complementar 149/2019, conhecido como Plano Mansueto, implementa um novo programa de auxílio financeiro a estados e municípios. A proposta prevê a concessão de empréstimos com garantia da União para estados com dificuldades financeiras. Em troca, o governos locais terão de entregar um plano de ajuste ao Tesouro Nacional, que prevê o aumento da poupança corrente ano a ano.

A alegre e poética história de Teco, o rei do boteco serrinhense

Teco é um sujeito muito alegre, que atende ao freguês sempre com o cabelo de índio mal penteado e proeminente barba, meio esbranquiçada pelos seus 58 anos bem vividos.

A alegre e poética história de Teco, o rei do boteco serrinhense

A cidade de Serrinha, terra da vaquejada, a maior do Brasil, é também rica em outras várias tradições. Na Semana Santa, por exemplo, revive a saga de Jesus e sua crucificação, em evento que atrai fiéis do Brasil inteiro.

A cidade tem um comércio forte, carro-chefe da sua economia. Este é um segmento em que personagens se destacam ao longo da trajetória da cidade, desde Tuíca, das Lojas Cruz; Evandro, da Eletrosom; Pedro, do Armarinho; Eliseu, do supermercado.
Em cada um deles, uma história, marcada na memória dos serrinhenses por sua singularidade. Alguns já se foram, restando deles apenas as lembranças. Outros seguem, como Eliseu, destaque na imprensa da Bahia e alvo de reportagem do Acorda Cidade, no fim de 2019, por ter tirado férias pela primeira vez na vida, após mais de 40 anos de batente em seu estabelecimento que se tornou famoso na avenida Manoel Novaes.
A lista de comerciantes vitoriosos e que chamam a atenção da comunidade serrinhens não para de crescer. Um dos que estão se integrando a seleta relação de empreendedores que atingem o imaginário popular é Teco, o rei do boteco.
Batizado Hariélio Carvalho, o filho de seu Arivado e dona Helena tornou-se personalidade, em Serrinha, por seu jeito inconfundível de atender, em quase um quarto de século vendendo cerveja.
O "Boteco do Teco", localizado distante da Morena Bela, point do entretenimento local, não é mais que um pequeno prédio, anexo da residência onde mora com a esposa e fiel escudeira no negócio, a faz-tudo Célia. Um pequeno ponto, mas... só que não. Ninguém tem mais clientes do que ele, na cidade.
- É um cara sensacional, que atende sempre com um sorriso, um bom papo. Além de oferecer qualidade e ótimo preço. Serrinha inteira vem aqui no boteco comprar cerveja e prosear com ele - comenta o cliente fiel e amigo Geovani, dos raros em quem Teco confia vender fiado.
O sucesso é tamanho que o negócio está virando griffe. Os próprios filhos William e Hariel, criaram o Empório Serrinha. É um estilo de negócio diferente, especializado em cerveja artesanal. Mas a receita para atrair uma clientela fiel tem o "made in" Boteco do Teco. Os filhos seguem os passos do pai.
 Faz da vida uma piada
Teco é um sujeito muito alegre, que atende ao freguês sempre com o cabelo de índio mal penteado e proeminente barba, meio esbranquiçada pelos seus 58 anos bem vividos. O ex-lateral direito meio técnico, meio grosso, do futebol de várzea no bairro Rodagem, onde passou infância e adolescência, tem coração dividido: na Bahia rubro-negro (Vitória), no Rio alvi-negro (Botafogo). Seus amigos não sabem como ele consegue manter o humor, torcendo por dois times de tamanha aridez de títulos importantes.
Como atesta Zé Durval, amigo de muitos anos, mas cliente novo na casa, fazer piada de quase tudo é a forma com que Teco enfrenta as dificuldades - desde as derrotas dos seus dois times aos problemas econômicos e políticos no país que tanto lhe incomodam. É ferrenho crítico de gestões desatentas com o povo carente. Até já pensou em disputar a vereança, projeto que abortou no nascedouro.
"Seu Teco", como é também conhecido, nao é apenas um grande vendedor de cervejas. Também tem talento artístico, aflorado ainda em sua juventude, quando contemplava seus amigos mais próximos com cartões de boas festas personalizados. Jamais comprava um em livraria. As mensagens eram feitas de próprio punho, o que encantava a todos os que as recebiam dias antes do Natal.
Mas é na poesia e no poema, que Teco se realiza de verdade. Este, aliás, era o recurso mais proativo, em seus tempos de conquistador. Não foram poucas as meninas dos anos 70 que se encantaram por seus românticos escritos. Nos tempos em que a carta era um importante meio de se dirigir a uma garota (geralmente um amigo fazia a entrega da "correspondência"), o galanteador Hariélio raramente perdia uma cantada, que executava com a sua caneta, quase nunca usando a voz.
"Ele gastava muita tinta de caneta para escrever páginas e mais páginas de poemas, quando se encontrava apaixonado", relembra Berguinho, grande amigo de infância. Quando não era correspondido, ou ao levar um fora, mais ainda florescia a criatividade e a vontade de escrever, atesta o amigo-irmão.
Raimundinho, outro amigo de adolescência e seu colega no Ginásio Rubem Nogueira, diz que já atuou como "revisor" de poemas do Seu Teco. Certa feita, o sedutor poeta escreveu três páginas do caderno espiral para a irmã de uma estudante, por quem ele se apaixonou. Tanta intensidade não sensibilizou a jovem. "Ele sofreu muito", relembra o "auxiliar", hoje residindo em Brasília.
 Gostar de gente, o segredo
Sem dúvida, o jeitão largado e pouco preocupado com as durezas do cotidiano é o segredo do bom humor quase inabalável do rei do boteco. "Deixo a vida me levar", diz ele, plagiando o sambista famoso. "Enxergo a caminhada como um longo e delicioso banho no lindo lago do amor", acrescenta, outra vez recorrendo a estrofe de uma linda canção.
Sobre o trabalho e o sucesso do Boteco, decifra de forma simples: "basta gostar de gente. Cada pessoa nova que procura pela minha cerveja é mais um amigo de prosa que ganho. Quando você faz do seu cliente uma fonte de de amizade, com carinho e respeito verdadeiros, atendê-lo se torna um grande prazer".
O ex-gerente de loja da antiga Cesta do Povo diz que aprendeu ali a lidar com gente. "A experiência me fez chegar aqui com um espírito ainda mais voltado ao próximo".
 Coronavírus e a saudade
Casado, pai e avô, Teco meio que aposentou a sua Bic azul escrita fina. Dona Célia, companheira de quase quatro décadas, reclama: "só fez poemas para mim quando quis me conquistar. Nunca mais". Na verdade, Teco continua a escrever. Não tanto como antes, mas, vez em quando, ele junta algo a sua coletânea de centenas de poemas, agora em versão digital.
Foto: Arquivo Pessoal |O comerciante-poeta Hariélio, o Teco, com a esposa, Célia, e a afilhada Karen (centro) 
Retrata os diversos cenários do cotidiano, continua um excelente observador, que consegue reproduzir, em seus poemas, os momentos marcantes deste nosso tempo tão confuso.
Agora mesmo, deixa o coração falar por ele, ao rascunhar a dor que emana do peito em razão da pandemia. O coronavírus fez o poeta "sacar a palavra", com quem sempre troca intimidades, para refletir sobre o sentimento de milhões de brasileiros, ao mesmo tempo impressionados, ao mesmo tempo chocados, com o drama em que nos enfronhamos e dele tentamos nos despir.
 Quarentena e saudade, o chorar do boteco
 A buzina me chamava
A gritaria, era pelo meu nome
Ah, quanta saudade!
E o buteco em quarentena
Ao fregues que insiste, aprendi a dizer não...
Como antes não sabia...
Tudo por um decreto perverso, em meio à agonia
Tudo por um vírus chamado corona
O seu número, 19, para sempre marcado em minha memória
Uma doença importada, meu senhor!
Que chega até nós por quem tem dinheiro, viaja o mundo...
E daz de todo mundo transmissor
Fui 'mandado' prá dentro de casa
Impedido de fazer o que mais amo
Vivemos mais que um surto, um terrível susto
Maior ainda a saudade dos amigos, a bater no peito
Quanta falta do papo sem compromisso aqui no passeio...
E o que nos resta?
Tanta invenção... o que fazer?!
Tv... Pipocas... é tudo que se faz
Afinal, Quarentena é
vontade de comer

Assistir e ver os números crescendo
Saber quantos tem pra morrer!
Ah, agonia danada...
Tantos filmes, séries... nem consigo mais ver
É choque de realidade!
Bateu saudade do meu povo lá de baixo
Do carro antigo, azul, placa de fora
Saudade do bom dia do vizinho...
Saudade do dia a dia, do povo que passa
Saudade da minha cadeira amarela
Esta, minha grande companheira
Saudade das coisas que só eu gosto
Só eu entendo!
Saudade dos que vinham em busca de cervejas
Quantos, aqui, apareciam para "se" abastecer

Saudades do meu cochilo diário

Fechar os olhos e dormir, na porta, sentado

Estou cheio!

Não da família, ela é uma bela companhia
Como enfrentar o costume?
É algo tão forte, desses anos todos...
Abrir todo dia, de domingo a domingo, o divertido buteco
Saudade do sábado e sua feira livre...
Do meu velho, e da minha velha, que não posso visitar
Saudade até das caixas...
Do botar e do tirar
Saudade do povo dos 13...
Do sapinho, que passa para brincar
Do menino catador, por não ter agora nada para lhe dar
Ah, sinto tanta saudade, dá vontade de chorar...
Fico por aqui, pois sao 23 e três anos de estórias pra contar
Até a quarentena acabar
Da minha afilhada Aly, a frase de terminar:
Você é velho. Fique no seu lugar!
harielioteco1@gmail.com